Olá, mundo!

ou "lá vamos nós com isso de blog outra vez"

Eu sempre fui um cara antisocial.

Mesmo quando era criança já era assim. Lembro de uma vez, quando ainda era criança. Estava numa festa de aniversário na casa de algum primo, e ouvi alguém comentar com a minha mãe que eu não me misturava com a bagunça, mas que daqui a pouco eu ia me soltar e começar a correr poraí. Bom, já se passaram uns 30 anos e ainda não me soltei, mas tudo bem.

Até começo do ano passado, eu já tinha tudo no jeito: trabalhar mais uns muitos anos no mesmo emprego, me aposentar, fazer as coisas que gosto de fazer e é isso. Continuar sendo a mesma pessoa que sempre fui, com as mesmas necessidades e sem muita complicação.

Mas daí veio essa coisa toda de pandemia e bagunçou as prioridades.

Na verdade, não foi a pandemia em si. Acontece que, entre o isolamento social forçado e algumas outras mudanças na minha vida, acabei começando a fazer terapia.

E se você me conhecesse, ia achar no mínimo curioso me ver falando por quase uma hora com outra pessoa - falando mesmo, e não digitando num teclado.

Acontece que com essa coisa de terapia, acabei tomando gosto por conversar - e por causa do isolamento, percebi que não sou tão antisocial assim, e que também gosto de companhia.

Só que o meu plano de vida não contava com isso. Como um ser antisocial, nunca me preocupei em socializar, logo nunca fui bom em fazer amizades.

E aí vem aquela percepção de que estava vivendo errado. Tá, errado talvez não seja bem a palavra. Eu caí naquele erro do “mas eu nunca pensei que fosse precisar disso”.

Com a terapia, comecei a me abrir mais. Mas na terapia é (relativamente) fácil, você vai até um lugar onde tem uma pessoa esperando só pra te ouvir. É como se fosse um treino, um ambiente pronto só para praticar.

Por ser quieto, eu sempre fui observador. E uma coisa que percebi é que muitas pessoas não escutam - elas apenas querem falar. Uma conversa com uma pessoa dessas é uma coisa muito chata, porque a pessoa não escuta - quando o outro fala, ela só espera a vez dela falar de novo. Daí não temos um diálogo, mas sim dois monólogos.

Por isso, quando eu converso com alguém, (quase) sempre me coloco na condição de ouvinte. Talvez por ser mais fácil, talvez por falta de prática… Acabo absorvido pelo que a outra pessoa me conta, faço perguntas, e no fim, não falo nada sobre mim.

Não que eu tenha tanta coisa assim pra falar - se antes já não tinha, agora sem fazer praticamente nada a não ser ficar jogado no sofá, tenho menos ainda.

E não é que isso me incomode. Eu realmente gosto de ouvir, é um jeito de conhecer novas histórias de vida, principalmente porque não tenho muitas experiências.

E agora que a terapia acabou, estou por conta própria. Claro que não estou de novo na estaca zero, pois agora percebo essa necessidade de conversar, e tento ser mais sociável. Mas ainda assim é um pouco difícil, quando você acostumou a vida toda a andar pra um lado e depois percebeu que não fazia mal se esforçar um pouco pra ir pro outro lado.